segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Caminhada da Lua Cheia - Luzes pela Noite

Parabéns a todos os que tornaram um sucesso a Caminhada da Lua Cheia, neste último sábado, em Itupeva. O evento reuniu peregrinos de diferentes cidades e níveis de experiência, e coletou doações para a FIC - Fraternidade Irmã Clara. 

*O grupo perfilado para a foto oficial

Logo após iniciarmos a marcha, o grupo se espalhou pela estrada, na natural diversidade de ritmos. Ainda com a luz do dia, uma mescla do colorido das roupas, de passos e sons diferentes, de objetivos diferentes, experiências de vida diversas. A cada grupo que encontramos, fica mais claro que as caminhadas são poderosos imãs de pessoas interessantes, com a alma leve e disposição para compartilhar. Clima fraterno, com muito alto astral, sorrisos e conversas fáceis.

*Iniciamos a caminhada ao final do dia

Aos poucos, a noite engoliu o grupo. A conversa seguiu animada, tendo como fundo os sons noturnos de grilos e corujas. Pulseiras coloridas e lanternas brilharam no escuro, e aumentaram nossa expectativa pela convidada mais importante - a lua cheia, que ainda estava tímida, por trás das montanhas e nuvens.

*Muitos amigos marcando presença.

Separados por alguns metros, diferentes experiências. A "timeline" da rede social nesta segunda-feira é testemunha de variados olhares sobre o mesmo passeio. Com quem você andou? Em que ritmo? Quem conheceu? Sobre o que falou? Em fragmentos chegam para nós a história de uma vaca que "motivou" os participantes a apertarem o passo. Os cachorros das casas vizinhas, que avançaram nos organizadores quando andavam sozinhos, agora ficaram seguros atrás das cercas, latindo ao estranhar o grande movimento. Os poucos carros que cruzaram conosco mostravam-se cuidadosos, em velocidade reduzida.

*Weliton, nosso "Indio do Estilingue" fez inspirada foto noturna.

Havíamos iniciado há pouco mais de uma hora, e as camisetas coloridas deram lugar a capas e guarda-chuvas. A chuva veio, e veio forte.  Os insetos, que antes batiam no rosto, atraídos pelas lanternas, deram lugar aos pingos fortes. A enxurrada se avolumava, e afundava as laterais da estrada de terra.

Depois da chuva que lavou as almas. O clima voltou a ficar ameno. Já passávamos de dois terços do percurso, e a noite agradável se abriu, para uma distinta aparição da lua, celebrada por muitos olhares e braços apontando para cima.

*A lua apareceu!

*Parte do grupo caminhando, com as luzes da cidade ao longe.

Uma caminhada que teve de tudo! No ar fresco da noite, chegamos aos quilômetros finais. Algumas pessoas já perguntavam:  - Falta muito? ao que um amigo espirituoso respondia " - "Já está quase na metade"! De piadas a histórias de fantasma, tivemos de tudo!


O passeio terminou com uma merecida confraternização, numa Pizzaria de Itupeva-SP. Todos os excessos à mesa perdoados! Reencontros, novas amizades, troca de contatos e a certeza de uma experiência inesquecível!


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Perfil da Participante: Viviane da Silva

“It’s not about how fast I get there or what is waiting on the other side, it’s the climb” 
Miley Cirrus 


Viviane da Silva, A.K.A “Penélope”, é a personagem feminina pioneira e mais frequente em nosso grupo. Apresenta de maneira franca suas opiniões, e prova que a caminhada é uma modalidade em que o gênero não faz diferença.  É a incentivadora das confraternizações no final das caminhadas. Sempre esta disposta a fazer a parada em algum lugar ou mesmo reunião na residência para uma boa conversa, petiscos e vinho. Não foge das trilhas mais íngremes, mas temos a hipótese de que ela evita dias chuvosos para não estragar o cabelo.”

Como/Por que começou a caminhar?
Sempre fui muita ativa fisicamente. Na adolescência jogava vôlei, handball, andava de bicicleta, e claro, gostava muito de fazer caminhadas no fim da tarde. Com o passar dos anos fiquei muito mais ligada com a natureza e isso foi um dos motivos por que decidi fazer caminhadas mais longas e em lugares mais remotos, podendo assim interagir com todos os elementos da natureza.  O melhor de tudo é que tanto eu quanto meu marido curtimos muito essa atividade e fazemos juntos essa “loucura” .... 

Prefere que tipo de caminhada?
Trilhas no meio da mata, sem carros e sem bikes. No meio da mata, apesar de todos os elementos de perigo da mãe natureza, há mais oportunidade dessa interação do meu eu com ela, onde consigo caminhar conversando com Deus, meditando no silêncio, apreciando toda a beleza deste planeta. 

Qual a caminhada mais desafiadora que já fez?
Sem dúvida alguma, O Limoeiro. A sensação de “missão cumprida” ao fim dessa caminhada é indescritível. A visão da venda é extasiante!! Mas vale a pena o desafio já que o prêmio é um baldinho de loiras bem geladas!!!!

Que caminhada pretende fazer?
Em 2015, eu e meu marido faremos Santiago de Compostella. Outros lugares que gostaria de fazer seria Machu Pichu, Região da Patagônia, Deserto do Atacama, Chapada  Diamantina, descida do Grand Canyon até o Rio Colorado, e muitas outras. Com este planeta cheio de tantas belezas fica difícil elencar todos lugares que eu gostaria de trilhar. 

Qual equipamento considera indispensável?
Protetor solar, chapéu, bota ou tênis próprios para trilhas, cajado, e  uma pequena mochila para carregar água e um pequeno lanche de trilha. 

Já pagou algum mico? Alguma situação engraçada?
Nada que eu me recorde!! Mas assim que acontecer compartilho com vocês!

Uma lembrança inesquecível?
Uma pequena trilha que eu e meu marido fizemos em  Sedona, no estado do Arizona, EUA. Não vou entrar no mérito da questão, ele sabe porque!! Também as nossas caminhadas na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, foram simplesmente inesquecíveis. 

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Causos das Trilhas - 1

"O milagre não prova o impossível, serve apenas como confirmação do que é possível"
Texto Judaico

*Por Osmir Fernandes da Costa


Esse é um dos muitos causos que acontecem pelas trilhas. Em 2012 começamos nossas caminhadas mais extensas. Num determinado domingo, rumamos em direção a um alambique abandonado no extremo leste de Itupeva, percorremos a estrada Duílio Sai, passando pela Fazenda São Venâncio. 

O passeio estava agradável. Encontramos belas plantações de Uvas e até provamos alguns cachos. Neste dia, o Raio tentou pegar uma lebre, felizmente sem sucesso.

*É comum encontrar produtores de frutas pelos caminhos.

Quando retornávamos, fomos atacados um um enxame de abelhas. Corremos assustados buscando por socorro. Bastante picados precisávamos ir ao pronto-socorro.

Na primeira casa não fomos acolhidos, o caseiro falou que somente poderia sair com o carro com ordens do patrão. Estávamos a 8 kms do nosso carro e do Pronto Socorro, e em função da minha alergia, a coisa certamente ficaria complicada se tivéssemos que ir à pé.

A alternativa foi correr 1500 metros até uma pequena vila, onde sabíamos que havia moradores. Célia preocupada comigo e eu com ela. Quando lá chegamos, já debilitados, pedimos por socorro, mas o morador já não entendia o que falávamos. Apenas percebia nosso desespero. Pedi para ele levar um de nós, para que o outro pudesse ficar com os cachorros. 


*Célia em foto com Raio e Brenda

Ele insistiu que os deixássemos, e nos colocou em seu Fiesta prata. Rumamos direto para o P.S., sendo seguidos pelos nossos cães. No meio do caminho, os cachorros se cansaram e a Célia desceu do carro para ficar com eles. Meu estado era pior.

Cheguei ao P.S. e demorei para ser atendido. Eu sabia que se demorasse mais 10 minutos eu morreria, estava certo disto. Após tomar o antialérgico melhorei, mas antes disso estava entrando em choque.

Após me recuperar, retornei por dois finais de semana seguidos à mesma casa, para agradecer ao morador que me socorreu. Descobri perguntando no entorno que naquele local não morava ninguém há tempos, e não havia nenhum Fiesta prata.

Moral da história: fui salvo por um anjo da guarda. Deus colocou no meu caminho um anjo para me salvar. Ao certo, eu ainda devo caminhar um pouco mais aqui na Terra.

Este ocorrido provocou uma mudança muito grande em mim. Hoje sou menos apegado e mais tolerante. 

*Osmir fotografado por Célia.


A história não termina aqui, em um próximo encontro comento mais sobre outro ataque de abelhas. Deus abençoa quem caminha, ele caminha ao nosso lado.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Perfil do Participante: Fabio Michelete

"Eu não sei se cada um de nós tem um destino, ou se estamos todos voando acidentalmente por aí como uma brisa, mas eu, eu penso que talvez sejam os dois"
Forrest Gump


Fabio Michelete - A.K.A Forrest Gump foi recrutado por Claudio Caldeira na pratica de Yoga e aos poucos fomos fazendo amizade até chegarmos as conversas sobre caminhadas. Cláudio fez vários convites, insistiu, e achou que não iria traze-lo para o grupo, era mais um curioso. Porém apareceu, aceitou o convite e trouxe boas sugestões e tornou-se o fotógrafo oficial. Com relacionamento fácil, adaptou-se rapidamente e já é um dos que nos acompanha em qualquer tipo de caminhada. Sempre está disposto a colaborar, traz boas ideias e durante as caminhadas é o participante que sempre adiciona um pouco de conhecimento ou motivos de risadas para o grupo, porque esta com alguma piada pronta ou um relato de experiências das muitas leituras que faz.

Como/Por que começou a caminhar?
Para emagrecer, e para acalmar a cabeça. Eu tinha bons resultados correndo, e ainda gosto de fazê-lo, mas por alguma razão meus treinos não estavam deslanchando. A caminhada veio por sugestão de um amigo, e me identifiquei naturalmente. Agora, é o benefício pra cabeça que mais conta. Sou menos louco depois de 4h de caminhada.

Prefere que tipo de caminhada?
Caminhadas com sombra, mas com boa dose de subida. Mais de 20kms, menos de 30 – parece ser a distância ideal. Transpirar é libertador.

Qual a caminhada mais desafiadora que já fez?
O k2 – veja relato neste blog. Foram 43kms, com poucos descansos e muita subida.

Que caminhada pretende fazer?
Pretendo fazer uma que demore mais de um dia – e demande dormir em barraca ou alojamento. O lugar, sendo natureza, importa pouco. Queria mesmo era ficar com meus passos.

Qual equipamento considera indispensável?
É pegadinha? Papel higiênico..rsrs. Ok. As botas e a mochila com água. Não saia para caminhar sem elas.

Já pagou algum mico? Alguma situação engraçada?
Por causa do calçado da primeira caminhada,  ao final meus pés tinham tantas bolhas que fui flagrado por minha esposa indo ao banheiro “de gatinho”. Numa subida na serra do Japi, tropecei num galho, arrebentei um walking stick e ainda beijei o chão. Foi sem consequências, mas me surpreendeu. Foi tudo muito rápido, e lá estava eu sentindo o gelado do chão na minha bochecha.

Uma lembrança inesquecível?
É difícil escolher. O pôr-do-sol numa caminhada de 41kms que fizemos em Itupeva. O barulho da chuva na capa na primeira vez que peguei um aguaceiro forte. O barulho da música da venda, na última curva do “limoeiro”, indicando que estava chegando. A primeira caminhada noturna.

domingo, 2 de novembro de 2014

Travessia Agulhas Negras a Visconde de Mauá

Enquanto puderes erguer os olhos para o céu, sem medo, saberás que tens o coração puro, e isto significa felicidade
Anne Frank

*Por Wagner Marrane

Parque do Itatiaia – RJ - Aqui vai mais uma aventura, um lugar que me enche os olhos e posso falar que sempre voltarei enquanto estiver vivo. Parque do Itatiaia é simplesmente lindo, o primeiro parque Nacional, situado na Serra da Mantiqueira, fundado por Getúlio Vargas em 1937.

Partimos as 05:30h do dia 14 de junho de São Paulo, rumo ao Rio de Janeiro. Nesta aventura pude contar com dois amigos que, loucos ou não, aceitaram participar dessa aventura.

Da esq. para dir - Cassio, Karine, Wagner

Era um grupo grande, empolgado, com um mix de experiência e falta dela, inacreditável, mas aquela coisa em comum os movia – “A vontade de ver o que mãe natureza fez com tanto carinho”. Entramos na trilha em torno das 10 horas e então seguimos, cruzando por locais lindos, cuja obra foi esculpidas por vários anos.  

Chegamos a pousada em torno de 18h, o frio já se fazia presente e noite apresentava seu cartão de visita. Localizada num vale, posso dizer foi uma experiência interessante. A pousava contava com 3 casas, onde na casa principal ficaram os casais e nas outras duas casas dividimos entre masculino e feminino. Tomar um banho foi o desafio da noite, pois a água quente teimou em não ficar disponível em todas as casas. 

No grupo, um engenheiro ambiental com quem fiz uma amizade para muitas trilhas, nos falou que aquela água tinha a propriedade de “alta dureza”, ou seja, a dificuldade de remover o sabonete do corpo era maior e isso fez com que o banho levasse mais tempo. Daí fica a pergunta: “Teve ou não teve banho de gato”? rss ;). 


O Jantar aliviou o desafio do banho. Foi o prêmio da noite: peixe com aquele arroz e feijão super caseiros, Humm... Noite de sono muito boa, nem ouvi a 5ª sinfonia de roncos que aconteceu no quarto, 7 vozes para deixar os três tenores de orelha em pé. Felizmente, cansados do que jeito que estávamos o primeiro sentido a desligar foi a audição.

Acordamos cedo e fomos agraciados por uma linda manhã de sol e um café da manhã muito bom. Depois de algumas horas de caminhada atingimos o ponto mais alto e ter a sensação de estar acima das nuvens e perto de Deus é fantástico.


Terminamos a trilha num ponto de lindas cachoeiras e uma cidade com um tom e personalidade europeia, recomendo aos apaixonados uma visita a Visconde de Mauá.

Nessa experiência, pude ajudar pessoas. A primeira foi a Fabiana, com ela pude aprender que nossos conhecimentos devem ser aplicados para ajudar. Consegui auxiliá-la para que não sofresse com as bolhas que tinham aparecido durante o caminho. A segunda foi a Marli, que sofreu um tombo e teve escoriações na perna. Dessa eu jamais irei esquecer. Ela esteve por duas vezes no Caminho de Santiago, meu objetivo principal, e enquanto a auxiliava, me contou a história dos “anjos do caminho”. Naquele momento me senti importante. Sem devaneios tive a certeza que finalmente estava no “caminho”.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Perfil do Participante: Wagner Marrane

“Mude suas opiniões, mantenha seus princípios. Troque suas folhas, mantenha suas raízes”
Victor Hugo
 

Wagner Marrane – A.K.A. "Pula-Pirata" (ou Pepê), apareceu recrutado por Claudio Caldeira, quando participaram juntos de uma caminhada com outro grupo. Wagner é parte da alma do grupo, e com ela se conecta: “...quando caminho com esse grupo, sinto que minhas tristeza e desafios se tornam mais leves a medida que cada Km fica mais pesado, aprendo sobre minhas limitações, aprendo sobre natureza e aprendo sobre amizade. A cada passo uma risada, um conselho, um desafio, uma estilingada e uma bobagem, assim se faz esse momento.” Prometeu transmitir a “loucura” da caminhada a seu filho, reforçando sua ligação com a natureza.

Como/Por que começou a caminhar?
Criado numa família tradicional, cujo pilares são indestrutíveis, vi meu primeiro pilar desmoronar, meu casamento teve um fim, algumas coisas perderam o sentido, a vida estava sem gosto e sem cor, porém como sempre um Marrane não se ajoelha aos desafios, ele vai a luta... e encontrei no parque da Neblina uma ligação com algo superior que me fez entender que caminhar será sempre o ato de ir a frente, vencer os desafios, entender os limites e respeitas as pessoas. E faço hj da caminhada meu momento de reflexão e encontro com Deus.

Prefere que tipo de caminhada?
Não há um preferencia, caminho em qualquer lugar e em qualquer época do ano, mas caminhar na natureza e respirar o perfume da flores acompanhado de bons amigos significa que sempre vou rir muito.

Qual a caminhada mais desafiadora que já fez?
Existe um caminho que classifico como DARK WAY, vulgo Limoeiro, ainda não o venci como gostaria então este desafio ainda esta pra ser vencido

Que caminhada pretende fazer?
Meu maior objetivo neste momento é o Caminho de Santiago e na sequência o Caminho de São Francisco

Qual equipamento considera indispensável?
Apesar da simplicidade, para caminhar em longas distancia e em terrenos diversos deveríamos ter uma mochila cargueira, camelbak para armazenamento de água (sugestão de 2 a 3 litros), walking stick, botas e vestimentos apropriados, pois dependendo do local a troca de temperatura pode acontecer drasticamente no decorrer do dia. Ah! e não pode faltar o bom humor.

Já pagou algum mico? Alguma situação engraçada?
Geralmente eu não me lembro, deixo essa para as lembranças dos meus amigos.

Uma lembrança inesquecível?
Efetuei a travessia Agulhas Negras até Visconde Mauá e ao final socorri uma peregrina que sobre escoriações devido a um tombo, enquanto socorria ela me contou sobre “Os anjos do caminho de Santiago” e me classificou como sendo um deles naquele momento.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A Primeira Caminhada

"A gente não faz amigos, reconhece-os"
Vinícius de Moraes

*Por Geraldo de Moura

O meu batismo na minha primeira caminhada,e entrada no grupo foi através de meu amigo Weliton (vulgo Índio do Estilingue) seria um percurso de 30 KM e como eu estava bem preparado fisicamente aceitei na boa.




Na manha seguinte quando ele passou em casa para me chamar, me deparei com uma espécie de general do exercito americano, com roupas camufladas, botas, mochila, faca, enfim tudo que você possa imaginar em termos de equipamento para trilha e sobrevivência. Fiquei um pouco constrangido ao olhar para o meu amigo e pensei comigo “este cara é louco”.

Bem lá vou eu junto com ele, todo equipado tênis de molas, camisa regata e boné na cabeça a diferença é que eu não estava indo para a academia e sim para trilha de Itupeva. Meus primeiros 8 Km foram tranquilos com a natureza exuberante, arvores, pássaros, muito verde e energia, muita paz interior.



A partir dos 10 km percebi que havia algo de errado, o trajeto de estrada de chão com muitas pedras soltas faziam meus pés virarem, percebi que meu calcanhar estava sendo lixado por minhas meias o que gerou inúmeras bolhas com sangue pisado e ferimentos. Ao final do trecho de ida, já sobre um sol escaldante percebi que eu estava na roça, e que tinha mais 15 km pela frente.

Iniciamos o trecho de volta num ritmo acelerado, pois o Índio do Estilingue não demonstrava qualquer sinal de cansaço, e eu começando a sentir minha virilha, axilas e outras coisinhas mais ardendo de assado. A dor era tanta que travei os dentes e evitava até conversar e pensava somente em chegar ao final desta etapa de superação onde já começava a puxar a perna e não podia desistir. É impressionante como sua mente viaja durante o percurso, em vários momentos parecia que eu não estava ali e sim somente o meu corpo.

Meus pensamentos se voltavam em várias épocas de minha vida, encontros com pessoas queridas e vários segredos que nem mesmo eu sou capaz de entender. Ao mesmo tempo que você viaja parece que você é estimulado e quando percebi já estava no fim do trajeto chegando em minha casa.


Ao chegar, minha esposa se encarregou de prestar os primeiros socorros onde acabei com as pomadas de assaduras de minhas netas. Esta foi a minha primeira experiência,onde hoje tenho muito prazer em caminhar com meu grupo e fazer novos amigos a cada encontro.