quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Os Quatro Elementos - Terra

"O laço essencial que nos une é que todos habitamos este pequeno planeta. Todos respiramos o mesmo ar. Todos nos preocupamos com o futuro dos nossos filhos. E todos somos mortais."

Kennedy


Caminhar é ter contato com a natureza. Expor-se aos elementos,  lembrar que somos parte da vida. A ligação do elemento Terra com a caminhada é óbvio. É sobre ela que nossos pés trabalham, a nos impulsionar adiante.


Nosso planeta é chamado pelo nome deste elemento: TERRA. O chão firme tem propriedades importantes. É nossa base. De lá sai a produção de alimentos, em que os vegetais produzem o milagre de transformar o sol em comida. Esta generosidade mostra o caráter da Terra, que cuida de seus filhos insolentes, enquanto estes farreiam e fazem besteiras por sua superfície.


Por vezes, as características da terra estão lá para forçar nosso desequilíbrio. Pedras desagregadas fustigam nossos pés, mostram suas pontas. A poeira solta desafia-nos a permanecer em pé, e a lama é capaz de nos exigir esforços redobrados para o mesmo passo.


Do pó ao pó. A frase utilizada no momento em que somos devolvidos à terra, na sepultura, lembra-nos de nossa estadia transitória, da importância de aproveitar em cada segundo a vida que constantemente se esvai.

"No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta"


Cecília Meireles

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Os Quatro Elementos - Água

"Do mesmo modo que o metal enferruja com a ociosidade e a água parada perde sua pureza, assim a inércia esgota a energia da mente."
Leonardo da Vinci

Da hidratação constante, necessária ao esforço, até a umidade do ar, que dá conforto. Transpiramos e nossos corpos fluem pelo caminho. O elemento água é fundamental para a caminhada. Somos mais de 70% água, e deste elemento fundamental emprestamos nossas características.


Somos rio, no curso de nossas vidas, adaptando-se aos obstáculos, contornando, oxigenando. Ora desaparecemos da superfície, mas seguimos ocultos no curso de nossas vidas. Afetamos nosso entorno, geramos vida e movimento.


Se cristalinos, refletimos o entorno sem deturpá-lo. Se revoltos, mostramos nosso potencial destrutivo, arrastando conosco uma confusão de elementos. Combatemos as pedras com coragem. Alimentamos a vida com generosidade.


Ao encontrar outro curso d´água, geramos oposição e turbulência se o enfrentarmos de maneira oposta. Ou podemos aumentar nossa vazão e capacidade, se somarmos as forças. Ao vencer grandes distâncias, deixamos nossa marca na paisagem. Ao cairmos em cascata, produzimos um espetáculo de luz e som.


Murmuramos sossegados pelos trechos tranquilos. Em alguns momentos, nos acumulamos em lagoas, berço de vida, reserva de energia.


Vez por outra evaporamos, e como chuva somos levados a lugares distantes. Recomeçamos caminhos, revisitamos experiências. Em nossa composição, resquícios de tudo por que já passamos.


Do poema "O Rio", de João Cabral de Melo Neto:


(...)Eu não sei o que os rios

Têm de homem do mar;
Sei que se sente o mesmo
E exigente chamar.
Eu já nasci descendo
A serra que se diz do Jacarará
Entre caraibeiras
De que só sei por ouvir contar
(pois, também como gente,
Não consigo me lembrar
Dessas primeiras léguas
De meu caminhar).”

sábado, 15 de novembro de 2014

Travessia Rui Braga - Parte 3/3 - Parque do Itatiaia

"A beleza das coisas existe no espírito de quem as contempla"
Hume

*Por Wagner Marrane - Fotos de Leni Megumi Mori


O parque possui um museu que conta toda a história, sua fauna e fola e é repleto de cachoeiras lindas.


Existe um mirante com uma história fantástica que tentarei narrar da melhor forma possível:


- “Eis que vos deixo para retornar a minha humilde casa, amor de minha vida” – Disse o homem apaixonado no final de mais uma noite com a sua amada.

- “Meu homem, ao deixar minha casa, na sua última oportunidade de adeus, me acene, para que guarde em minhas lembranças que todas as noites o amor de minha vida passou em minha casa.” – pediu humildemente a mulher, cujo olhar traduzia a saudade.

Ao chegar ao topo de um mirante, no caminho de despedida, o homem saca o lenço e acena para o alto, na busca da casa de sua amada e na esperança de que ela tenha visto a despedida daquela noite.



sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Travessia Rui Braga - Parte 2/3 - Parque do Itatiaia

"Uma coisa bela persuade por si mesma, sem necessidade de um orador"
Shakespeare


* Por Wagner Marrane - Fotos de Leni Megumi Mori

Seguimos pela mata fechada, com aquele sentimento de sermos praticamente nativos. O parque possui um animal símbolo chamado de "sapo flamenguinho". O duro é que se alguém falasse que o sapo era Vascaíno não iria colar. Ele é vermelho na parte inferior e preto na parte superior. Um flamenguista para ninguém botar defeito!


Chegamos por volta das 17 horas no destino. Durante o percurso, descobri que tinhas ótimas pernas e que elas também sabem reclamar... Dores pelo corpo! 


Ao final, sofri um acidente que prejudicou um pouco, torci meu tornozelo. Prontamente todo o grupo veio ao meu auxilio. Me senti o presidente do país, cheio de mimos e cuidados. Mais uma lição foi aprendida: somos passíveis de ajuda, por nossa relação em grupo, e precisamos uns dos outros.



Após todo o sofrimento vamos ao lazer. Acordamos no domingo, rimos sobre os acontecimentos pelo percurso, tomamos um belo café da manhã e partimos ao parque novamente.

Continua no próximo post...

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Travessia Rui Braga - Parte 1/3 - Parque do Itatiaia

"Podemos viajar por todo o mundo em busca do que é belo, mas se já não o trouxermos conosco, nunca o encontraremos"
Emerson

*Por Wagner Marrane - Fotos de Leni Megumi Mori

Lá estava eu de novo no Itatiaia. Seria minha primeira caminhada na chuva, e tudo indicava que a aventura iria ser a maior. A emoção tomava conta por esta variável.


Nada iria tirar o gostinho de ver novamente meu Itatiaia.Vamos lá! Munido de uma capa de chuva, comida e água, fui preparado. Para esta caminhada decido ir junto com o grupo do meu amigo Paulo, diga-se de passagem, sábio homem dos caminhos. Um grupo pequeno, mas animado! Desde da saída até a chegada foram boas risadas e histórias. 


Uma pratica nessas viagens é a de cada um contar o que viveu pelos caminhos do mundo. São histórias, não escritas, que sempre merecem um lugar na recordação de quem ouve.

*Aproximadamente 27km, trechos que mais parecem pinturas, desenhados com todo cuidado pela mãe natureza.

Esse grupo animado foi durante todo o percurso transformando aquele ambiente natural, tornando-o mais alegre e cheio de vida.

Como em todo bom caminho, somos chamados a ajudar e tive a oportunidade de socorrer mais duas pessoas. O primeiro foi Jose (Zé) que ao sofrer um tombo teve escoriações no braço. Dado minha última experiência, estava munido com um kit de primeiros socorros que deixaria qualquer hospital público com inveja....rs


A segunda foi a Cassia, que com bolhas estava começando a deixar de curtir o caminho para curtir as dores. Uma boa dose de microporos produziu nova "sola do pé", e ela estava pronta para curtir o restante do caminho. O local é muito rustico, te leva a uma viagem pelo tempo, com os abrigos e casas de colonos abandonadas ao longo do tempo.


Continua no próximo post...


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Causos das Trilhas – 2

"Passar dos fantasmas da fé para os espectros da razão é somente ser mudado de cela"
Fernando Pessoa

*Por Osmir Fernandes da Costa

No verão de 2012 começávamos a caminhar mais cedo. Saíamos de casa as 05:00h para evitar o calor forte. Inúmeras vezes, iniciamos a caminhada ainda no escuro. 


Em uma delas, partimos da Parada Quilombo em direção a Indaiatuba (Condomínio Rio Negro) passando pela Trilha do Boi, que recebe este nome pela pedra em forma de boi que encontramos no percurso.

Quando passávamos próximos a este local, observei um homem vindo em nossa direção. Ele vinha acompanhado por três cães. Quando se aproximou mais, observei que estava bem vestido, com roupas de peregrino. Reparei que seus cachorros eram bem cuidados.


Ele passou por mim e Célia, e sentimos um aroma diferente, um cheiro agradável. Ele nos cumprimentou com um discreto sorriso, sem pronunciar nenhuma palavra.

Caminhei alguns passos evitando olhar para trás. Quando o fiz, ele havia sumido. Sumiu!

Os cachorros bem cuidados, o aroma refrescante, minha relutância em olhar para trás e ao fazê-lo não o ver mais me fizeram acreditar que este peregrino fisicamente não existia.

Ele cruzou o nosso caminho para desejar "bom dia".